sexta-feira, 18 de abril de 2014

O renascimento e as jóias

Com os estudos de anatomia e engenharia que ganharam força nesta época, os ourives conseguiram reproduzir com fidelidade, formas humanas representadas em peças inspiradas na mitologia.
A joalheria deixou de ser patrocinada pelo clero e passou a ser patrocinada pela burguesia. Foi então que o ofício de ourives começou a ganhar status de arte assim como a pintura e escultura.
O berço do Renascimento foi a Itália, mais precisamente Florença, cidade onde viveram os Médici, família que financiou diversos artistas do período. Durante a renascença a cidade abrigou os principais artistas desta época como: Rafael,  Donatello, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Cellini(ourives e escultor) entre outros.
Foi em Florença que nasceu o conceito de artista que conhecemos: “um profissional remunerado pelo talento e com direitos sobre sua obra”.
Foi em Florença que nasceu o conceito de artista que conhecemos: “um profissional remunerado pelo talento e com direitos sobre sua obra”.Cellini foi um dos maiores ourives do renascimento. Nasceu em Florença e mudou-se para Roma onde produziu jóias para a corte papal e vários nobres. Estudou no atelier de Filippino Lippi onde aprendeu que o desenho tinha que ser a base de toda obra de arte, já que servia para projetar todos os detalhes da peça antes da execução.


Com as navegações e a descoberta das Américas, a Europa foi abastecida de ouro, prata e gemas. Sendo assim, a quantidade de jóias usadas jamais havia-se visto. Homens, crianças e mulheres passaram a desfilar ornamentadas com inúmeras peças.



Era costume usar vários anéis na mesma mão, assim como muitos colares. Também era comum o uso de pingentes, brincos, broches e jóias para o cabelo e chapéu.  Os adornos de chapéus eram feitos de ouro esmaltado, com motivos mitológicos ou religiosos. Camafeus também começaram a ser introduzidos na composição destes adornos. Usar correntes maciças com diferentes tipos de elos também foi um costume da época. Alguns anéis do final do séculoXVI, podiam conter compartimentos para transportar relíquias, perfumes ou até mesmo veneno.





Pérolas barrocas ganharam destaque em peças onde as pérolas eram parte do corpo da figura representada seguindo a criatividade do joalheiro.
Tamanha era a euforia deste período que até mesmo imitações de pedras eram usadas.
O Renascimento foi um período marcado pelas transformações, prosperidade e criatividade. A joalheria deste período marcada pelo exuberância, tecnologia e conceitos artísticos.

A Joalheria Bizantina

Um aspecto importante foi a coexistência da arte greco-romano e a oriental. Para a primeira citada acima, esse foi um dos últimos redutos durante a Idade Média, sendo redescoberta pela Europa durante o Renascimento.
Durante o Império Bizantino, as jóias eram muito valorizadas. Usadas para adornar roupas, sapatos, cabelos e diversas partes do corpo (pescoços, orelhas, cinturas, dedos e braços). Tanto homens como mulheres faziam uso de cintos, fivelas e broches adornados com filigrana e arabescos em ouro, pérolas e esmalte.



Constantinopla estava em uma posição privilegiada no mapa econômico e cultural. A joalheria nessa época utilizou gemas trazidas por mercadores de regiões como o Golfo Pérsico, Ásia, África, entre outros. As principais gemas utilizadas foram as pérolas e safiras.
A cor, que foi usada com grande destreza pelos artistas da época, também estava presente através de técnicas de esmaltação. Esta maneira de colorir as jóias, decorava peças ricas em detalhes na representação de santos, retratos e desenhos abstratos. O esmalte atingiu alto grau de refinamento técnico, sendo a técnica denominada “closoinné” muito utilizada.
As imagens de mosaicos, como o da Igreja de São Vital em Ravena entre outras, sugerem o uso de broches, coroas, cruzes, e fivelas e das gemas acima citadas.




A arte dos ourives também podia ser encontrada em cálices e outros objetos litúrgicos, assim como cetros e diademas. As técnicas de filigrana e granulação também foram muito empregadas para ornamentar as peças. A lapidação era muito primária. Utilizava-se apenas arredondar as arestas, lapidar em forma de contas e polir as facetas naturais da gemas. Um dos conceitos dos lapidários era o de perder o mínimo peso possível.

As jóias na Idade Média

Na Idade Média a arte sofre grande influencia religiosa. Deus é o centro do universo (teocentrismo) e a Igreja, como representante de Deus na Terra, possuía poderes ilimitados. Esta influencia marcante na vida da sociedade, também influenciou a joalheria. As jóias eclesiásticas ganharam força e escapulários, crucifixos e relicários passaram a ser muito usados por ambos os sexos.
Com o início de uma economia baseada no comércio, acontece uma grande migração do campo para a cidade e surge uma nova classe social: a burguesia urbana, fruto de uma economia que prosperava no surgimento de um novo mundo cosmopolita. Durante o Medievo, apareceram as primeiras sociedades de ourives, os quais se instalaram em guildas (corporações de ourives).  Paris, Colônia e Veneza foram grandes centros da joalheria medieval. Os ourives produziam peças para a Igreja, para a nobreza e para a nova classe social (Burguesia).  Neste periodo, as jóias tinham um simbolismo muito forte, não só religioso mas também de status e divisão de classes.  Existiam leis para o uso das jóias. O clero e a nobreza tinham acesso a todos os tipos, já para a Burguesia a lei era mais severa, restringindo o uso de algumas gemas e peças a esta classe.
O esmalte foi uma das técnicas em destaque na joalheria Medieval. Usado em broches e fivelas entre outras peças.
Os anéis eclesiásticos, muito valorizados pela igreja durante este período, são usados até hoje por cardeais, bispos e pelo papa. A Burguesia utilizou-se de anéis gravados com monogramas como instrumentos de autenticação de documentos.



Os penteados tinham destaque neste período e por este motivo as jóias usadas na cabeça faziam parte da composição do vestuário. Homens e mulheres usavam vários tipos de ornamentos na cabeça. Uma opção para as mulheres era entrelaçar os cabelos com fitas bordadas com ouro e lindas gemas (tressoirs). Diademas também foram muito utilizadas.


Jan van Eyck, 
Annunciation, (detalhe), 
c. 1425-30.


Os cintos, usados por ambos os sexos, faziam parte dos vestuários pois estes não possuíam bolsos. Homens e mulheres os usavam para pendurar objetos usados no cotidiano.
Os broches também possuíam outra função além do adorno. Serviam para fecharem os mantos.
O vestuário também era ricamente adornado. Fios de ouros e gemas eram aplicados às bordas dos tecidos.
As gemas tiveram um papel de destaque na joalheria medieval. Em uma técnica para realçar sua cor, algumas gemas recebiam uma fina camada de metal. Também foram criadas leis restringindo o uso desta técnica em conseqüência de seu uso indiscriminado.As pérolas, rubis, safiras, esmeraldas e granadas foram as gemas mais utilizadas. Além do formato cabochão, o mais encontrado no medievo, pedras com facetas começam a surgir. É o período onde a lapidação começa a se desenvolver.Nesta atmosfera de simbolismos e religião, não era de se espantar que as cores das gemas tivessem significados e que a algumas fossem associados poderes curativos e espirituais.


A arquitetura gótica, com seu verticalismo, influenciou a joalheria de maneira gradual. A arte gótica surge em um momento de crescimento das cidades medievais.  O estilo arquitetônico gótico já estava emergindo por volta de 1150, mas somente no final do século XIII é notado seu reflexo na joalheria. Surgem novas formas, mais angulares e pontiagudas que resultam em formas elegantes. A arquitetura retrata a crença na existência de um Deus que vive em um plano acima da humanidade, o que explica o verticalismo, tudo aponta para o céu. Sua maior representação esta nas catedrais.